Baco entre todos

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cão (intolerância)

Cão (intolerância)


Acabou de passar por mim um cachorro
Bege com um traço perto no focinho
Ele vai pelas calçadas com a língua pendurada.
Sigo-o com os olhos até perder-se de vista
De onde vem não consigo imaginar,
Muito menos para onde irá!

Será que fugiu de alguma casa?
Ou ainda foi parido nas esquinas da vida?
Ele apenas caminha solitário,
Sem matilha ou bando.
Solitário dentro dele mesmo!
Talvez esteja com fome...

A cada transeunte ele Pára e Olha.
Mas ninguém o vê.
Acho que eu mesmo não o veria.
Tem porte! Grande! Majestoso!
Porém nada importa para os outros.
Ele é apenas um cachorro desgarrado da vida!
Apenas um nojo de existência!

Continua caminhando, subindo a rua.
Olhando, parando.
Mas ninguém o olha, ninguém pára!
Lógico, o ser humano tem de viver,
Correr loucamente para todos os lados!
Tem de manter suas famílias,
Tem de comprar Roupas e Veículos!
Tem que correr contra o tempo,
Afinal, somos a espécie animal mais evoluída.

Temos celulares, dinheiro, casa, carro, trabalho!
Por que deveríamos parar e olhá-lo?
Existe algo mais importante que o dinheiro?
A troca de mercadorias?
As aquisições de status social?
Não!!!

Ele é apenas um cachorro!
Existe somente para ser encoleirado!
Serve somente para proteger a casa!
Se estiver na rua, não presta nem pra isso!
Se não pode usá-lo, mate-o, deixe-o morrer!
Não fará falta. É só mais um.
Ele não fala, não pensa, não ama, não sente fome!
Não existe!

Deixe-o. Temos que correr!
Seja de carro, moto ou a pé!
Temos que correr.
Pagar contas, entrar na internet,
Ir à igreja pedir perdão.
Ir ao jardim zoológico com a família.
Lá é permitido alimentar os animais.
Jamais na rua, somente no Zoo.

Já não o vejo mais.
Deve ter virado alguma esquina.
Penso que logo será atropelado.
(Claro, porque são sempre eles que aparecem na frente dos carros.)
Será atropelado pela pressa humana,
O mais evoluído de todos os seres!!!!!!


Vinicius Cassiolato

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Devaneios e Elis Regina

Faz um tempo que não passo por aqui.
Correria.
Ensaios, estudar para provas, montar aulas, projetos e por ai vai.


Nos útimos dias 14 e 21 participei de dois saraus no interior de são paulo. Dia 14 Sarau no Abobrinha, em itupeva. Foi mágico, momentos que as estrelas se encarregaram de eternizar. Cantei, Dancei, Interpretei, Expus... A noite que era coberta pela Virada Cultural em cidades visinhas, foi com toda certeza abrilhantada por almas que se deixaram dançar com o universo. Cantei Elis... Dancei ritmo Cigano...

Com espaço aberto, levei amigos para expor tambem seus trabalhos. Lisa, Luana, Cassio, Tiago, Nanndo e Eu tivemos a oportunidade de mostrar um pouco dos nossos desenhos, rabiscos, devaneios.
 

Seguindo essa linda Saraulesca, no dia 21 participei tambem na Noite Cultural Ala Salto. Uma noite em que a dança, o teatro e a poesia foram elevados ao patamar da sabedoria. Coreografias que retratavam o mundo dolorido de uma bailarina que luta com unhas e dentes pela sua arte, e ainda assim, é excluida e marginalizada.


Levei poesias minhas, momentos meus, rebusquei assim minha essencia, evocando junto ao ser humano aquele que a muito nos deixou, Vinicius de Moraes. Levei aos ouvidos da plateia um pouco do ser Vinicius.


Aproveitei o momento e mais uma vez levei a cena Relatos: Elis Regina. No palco, elis, na plateia, filhos do Brasil que levaram para suas casas um pouco da maior interprete que já tivemos. Um pouco da vida e obra da Doce Pimentinha. Agradeço desde já minha tão pequena equipe que faz trabalhos de gigantes: Uelintom (bob) - Sonoplastia, Tiago Souza Silva - Ator/Maquiador/Cenógrafo/Doido/figurinha e a minha querida Alessandra michelle - Atriz/Elis/Doidinha coitada. FOi um momento unico, aplaudidos de pé por mais de 5 min. Lágrimas e sorrisos por todos os lados.






                                       
                                                              
                                                                             
Assim, tendo a oportunidade e espaço, levei mais uma vez junto comigo amigos que também colocam no papel retratos e rabiscos de suas realidades.
Agradeço a todos pela oportunidade. Luciana, Eloy, Wilson, e todos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias de Salto, que nos receberam de braços abertos e com a alma repleta de vontade para expandir um pouco mais de nossa cultura.
Por fim, e não menos importante, na terça feira, dia 24, levamos novamente o Relatos Elis Regina para a fase municipal do Mapa Cultural Paulista. Tivemos que adaptar o Elis para o palco italiana (tradicional), já que era uma peça para espaços alternativos, enfim, levamos a plateia toda para o palco, sentaram em semi-circulos, em cadeiras, no chao. Ali, junto aos Clows e a Elis, conheceram um pouco mais do nosso Brasil. Os filhos se aproximaram de sua mãe. Levamos debaixo de nossas asas a plateia, subimos, subimos e nos aconchegamos no infinito do céu.
Julgados por uma comissão de 3 juris, Relatos Elis Regina entrou na competição para a fase Regional. Torçam os dedos.

Fica de presente uma das interpretações mais lindas da música cartomante:


Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Convite - Relatos Elis Regina

Participem Prestigiem Divulguem

E com imensa satisfação que convido a todos para o Evento Cultural Ala Salto. Um encontro que será acalantado por estrelas eternas que regem a humanidade. Teatro, Dança, Artes Plásticas e Declamações...
Arte sincera mesclada com a arte de viver...
Contando com 8 artistas plásticos - Salto e região, Cia Teatral Tupinambá - Salto, Cia de Dança da Estaca - Osasco, declamações com o autor e poeta Vinícius Cassiolato e um espaço aberto ao público para mostrar sua arte, o evento será realizado em um ambiente familiar e aconchegante.
21 de maio às 19h
Entrada Gratuita
End: Rua joaquim Nabuco, 584 Vl Teixeira - Salto
(próx ao Shopping)


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Relatos: Elis Regina


Próx dia 21, estarei com minha equipe TUPINAMBÁ apresentando Relatos: Elis Regina. Dessa vez em um evento cultural da Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias daqui de Salto. Um evento que será acalantado com exposições, dança, poesia, teatro, música...
Espero encontrar todos por lá!
Deixo aqui o  vídeo "UPA NEGUINHO - MARIA MARIA" EDITADO PARA SER APRESENTADO
AO FINAL DO ESPETACULO "RELATOS: ELIS REGINA".


"Mas é preciso ter força é preciso ter raça, é preciso ter sonho sempre! Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida"

Ficha Técnica
Elenco: Alessandra Michelle
           Tiago Souza Silva
            Vinícius Cassiolato

Op Técnica: Uelinton (bob)

Direção: Vinicius Cassiolato

Texto: Vinícius Cassiolato

Normalidade

Normalidade

Com carinho, aos normais

O cinzeiro cheio!
Cinzas e bitucas traçam seu labirinto cotidiano!


No céu, uma lua brilha vagamente.
Nuvens estranhas trazem formas esquecidas.

Em seu olhar,
A mulher deleita-se sob a Majestade Enluarada.
A noite o abraça tentando amá-lo!
Tudo em vão,
Cigarros, mulheres, delírios...
Fugas insanas...
Tentando remontar uma história perdida!

Em sua mente
Força a única afirmação válida:
“SOU NORMAL”
“SOU UM HOMEM NORMAL”

Em sua cama
Repousaram diferentes corpos femininos.
Seres que tentou amar!
Ele tentou!
Tenta ainda...
Porem permanece desconhecido a si mesmo.

Dentro de si, chora...
Mas a afirmação carrasca continua latejando.
Concentra-se para não pensar no que considera errado.
Ele é um homem normal.
Com sonhos, dúvidas, receios,
Músculos!

Com porte de atleta,
Uma carreira promissora,
Com uma família tradicional.
“EU SOU NORMAL”
Reprimi desejos inconscientes...

Quantos foram os olhares?
Os arrepios? As tentações?
Dentro de sua cabeça
Vaga pecados e repressões.
Pai severo. Arcaico.
Mãe beata. Tradicional.
E ele?

Busca ainda o casamento,
Porém, seu peito grita em contradição!
Namoradas, amantes, academia.
Fortaleza em pessoa.
Mas que pessoa?
Sente-se vazio. Estranho.

Não demonstra sua sensibilidade...
Sua delicadeza...
Exibe apenas sua Masculinidade!

“EU SOU NORMAL! NÃO POSSO SER DIFERENTE”

Frases torturantes rondam seu espírito.
Quem ele é no fim das contas?
Por que tanto?
Treina junto ao seu cachorro.
Atrai as mais belas jovens.
Exercita seus músculos.

E quem é ele?
Quem é ele para ir contra?
E quem é ele para não se aceitar?
Por mais que force
Seus olhos acabam traindo seu ser!
No fim, seus sentidos acabam seguindo seus desejos.

Confusões repousam sobre seu corpo.
Mulheres sensuais?
São simplesmente humanas...
Mas seus olhos buscam seus páreas!
Algo nele sabe o que o completa.
Sabe o que lhe atrai.
Nega, continua a forçar algo impossível!

Apesar de todo seu porte,
Ele teme... Teme...
Sua família, sua sociedade,
Seus amigos...
Seus desejos!
Teme acabar por entregar-se às vontades.

“NÃO SOU ASSIM. EU SOU NORMAL”

Mulheres, academia,
Passeio com o cachorro de raça,
A busca por uma afirmação de masculinidade,
A busca por uma família.

Ele precisa, talvez...
Realizar o desejo da mãe.
Não decepcionar o pai.
Provar para si mesmo...
O quanto Ele é Homem!
O quanto Ele pega todas!
O quanto Ele é garanhão!
O quanto Ele Não é Gay!

“EU SOU NORMAL”

E apesar de tudo, todas as tempestades sangrentas,
Tantas provas para si mesmo,
Ele se esquece de ouvir o seu intimo.
Lá dentro dele,
Em algum lugar abandonado,
Ele chora. Pede socorro!
E também diz:

“Eu sou normal...”

Ele esquece que seu desejo é normal.
Amar é normal.
Ele esquece que é ser humano.
Esquece que nunca conseguira ser o que ele não é!
Esqueceu o como fazer
Como fazer para ser único!
Esqueceu que ninguém é normal!
Esqueceu de ser...
E continua a caminhar!
Respirando difícil,
Negando sua essência,
Fingindo não amar outros homens.

Ele fecha os olhos
E sente um abraço forte,
A barba roçando sua nuca,
Seus pêlos eriçando um por um,
Lábios compartilhando o mesmo instante,
Mãos procurando completar-se!

E quando torna a abrir os olhos,
Afasta seus pensamentos pecaminosos...

“EU SOU NORMAL”...

Vinicius Cassiolato

ACESSEM:.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Passado Cruzado

Passado Cruzado





Encontrei em meio a tudo
Um simples livreto antigo.
Desgastado com o tempo!
De capa já amassada,
Folhas carcomidas pelas traças!
Nele contem a escrita, a fala, a arte...
Diante dele encontrei
O amor, o coração do poeta, o devaneio intenso...
Em seu interior,
Encontrei-me! Senti o artista riscando as paginas,
Passando para o branco-Virgem.
Teus pensamentos e infantilidades!
Um livreto simples,
Mas com o toque da Centelha Divina.
Chorei, amei, odiei, me desconstruí por completo!
Para renascer nessas paginas.
Identifiquei-me naquelas linhas
Não pela discrição fiel do amor,
Ou pelo detalhe de um soneto.
Identifiquei-me com o poeta!
Com aquele louco que tenta pelo papel
Passar seus pensamentos angustia descasos!
Identifiquei-me com sua alma.
Eternamente sussurrada pelo infinito.
Vi em suas linhas amareladas
O fulgor de um artista
(talvez, da fome).
Naquelas paginas,
Encontrei-me com o ser poeta,
Com o ser artista!
Penso se vive de sua arte.
Imagino o que passou
Aonde andou, e se chegou.
Penso por onde terei que caminhar
Para poder (quem sabe)
Fazer um tão singelo livreto.
E se por ventura conseguir,
Quem o lerá depois de tantos anos...
Depois de tanta eternidade...
Estas são somente palavras ao acaso!
Sem rumo, nem prumo.
Somente ao acaso.
Amanhece do lado de fora.
Amanhece em outra realidade.
Logo teremos que levantar outra vez.
E outra vez...
E outra vez!
Ir de encontro à labuta,
Ao decorrer das almas...



Vinicius Cassiolato

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sem Título ?


Dentro de um contexto massificado/industrializado, não consigo me enquadrar... Um mundo em que o lucro e o capital está acima de qualquer sentimento, de qualquer emoção, de qualquer Humano...
Gerações passadas lutavam e tentavam ser eles mesmos... Gerações presentes lutam para manter-se comoda, tentam não pensar... Gerações futuras?
A vida humana se resumiu ao simples lucro e perda da Intuição! Como viver aqui ou ali?
Como deixar de lado emoções que me fazem sentir como humano...
Foto: Hedriano Oliveira
Como viver assim?
Serei eu um louco ou um filho bastardo da sociedade alienada?

 "Minha geração não quer mais sonhar.
                                       Que sonhe a próxima então..."


[Sem titulo?]

O tempo não pára

Ao som de blues
Vago pelo tempo, entre todas as gerações,
Caras Pintadas, geração perdido.
Eu sou dessa geração?
Será?

Bossa nova luta guerrilha!
Canônico, grego, hermético?!?
Linhas perdidas no tempo e no espaço.
Valores remodificados,
Morais impostas.

Como me enquadrar em moldes sistematizantes,
Se não me enquadro em tintas ou livros?
Deixo a vida pulsar
Levando-me a outros Mundos escondidos,
Delírios insanos desconexos,
Embriagues divinamente profana!!!!

Caminho entre igrejas e cemitérios,
Encontro-me com os Deuses Pagãos
Encontro-me solitário em mim mesmo...
Pelas minhas veias
O tempo escorre entre o agora e o passado.
Um agora perdido entre o ventre das Parcas.
Um passado cruzado dentro da humanidade.

Vivo, além, tento!
Eu Vivo voando entre nuvens e pulsações celestes.
Eu Além do além, alcançando realidades diversas,
Eu Tento...
Eu Tento ser eu mesmo!
Influenciado por familiares, filósofos, amigos,
Amigos mortos, amigos tentando viver.

Dentre vocês quem realmente vive?
Vocês que me ouvem, que me lêem,
Leia minha alma, entenda meus pensamentos.
Dentro do meu peito
Permito o tempo ser desvairado..
Elevo-me às estrelas do mar...
Ouço o som da rebentação!

Você ai!
Erga seus braços mórbidos
E alcance meu espírito!
Dê-me a Mao e vamos juntos
Vamos juntos não Olimpo, ao Orun, ao Infinito...
Perf Desejo - Vinicius Cassiolato
Foto: Hedriano Oliveira

Não respiro o tempo ou o espaço!
Sinto-me o todo.
O ontem que ainda não começou
O amanha que já passou...

Caminhando pelas ruas

Ouço as casas ofegantes em ira.
Vejo corpos respirando, mas não vivendo!
Seres sonâmbulos que percorrem ruas estranhas,
Seres que olham, mas não vêem,
Que andam e não sentem,
Que não tem consciência de ter uma consciência...

E nesse universo multifacetado 
Eu, sou o estranho
O atemporal
O estranhamente imperfeito!
Eu, sou o Exilado das estrelas.
Eu sou o Tempo encarnado em humano...

Eu, que aqui vos escreve,
Sou alguém perdido...

Vinicius Cassiolato