Baco entre todos
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domingo, 4 de março de 2012

1 Noite

Hoje encontrei minha poesia perdida na textura e no cheiro da noite 

Embriagado de alma humana, reconheci a mim na luz negra de teus faróis

Retornei à essência e completei-me em teu encanto

Consumi teus saberes e me embebedei de teus gestos

Noite eterna essa que me trazes!

Noite serena de simples sorrisos

Sensações, aromas, compreensão, cumplicidade,

Fecho os olhos e levo comigo essa brisa noturna.

Guardo na memoria teu mar imenso de poesia!

(Poesia essa de um amor de 9 horas)



...o Eu te amo ficou trancado no quarto que deixamos pra traz...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Lenha

Lenha

Sossego, quietude!
Uma calmaria após um dia de trabalho.
Depois de oito horas corridas.
Um tempo para mim.
Finalmente.

Oito horas correndo,
Oito horas trabalhando para o enriquecimento alheio,
Oito horas odiando estar ali,
Oito horas amaldiçoando,
Sonhando poder fazer o que gosto!

Um banho quente
E junto com a água vai embora todo o cansaço, todo rancor.
Deixo os cabelos livrarem-se de suas amarras.
Agora.
Um tempo apenas meu!
Sem encher o bolso dos outros.

Agora.
Satisfeito com o alimento,
Exausto com o dia,
Feliz em ser somente Meu.
O tempo. O agora. O ar. O universo.
Somente meu.

Não quero lembrar que amanhã recomeçarei tudo
Tudo novamente.
Trabalho. Cansaço. Rancor.
Nesse momento quero ser somente meu.

Aqui.
No sofá que nunca degustei.
Na sala que nunca apreciei.
Na casa que não me lembro quando...
No momento meu.
Moro. Resíduo. Residência.
Paredes pintadas.
Quadros que gostaria de ter pintado!
Arranjos que nunca irei arrumar!

Finalmente.
Um tempo meu.
Um tempo para sentir.
Sem ter de correr atrás de nada
Sem ter de aturar ninguém.
Nem caminhar,
Nem falar.
Apenas observar. Ouvir.
Meu Mundo.

E enquanto isso,
Lá fora,
Lá, na esquina,
O frio leva o sono das crianças de rua!
No mesmo momento em que bêbados são mortos.
No mesmo instante em que torturam Estudantes!

Meu mundo.
Ouvindo Elis.

“Uma mulher que merece
Viver e amar como outra qualquer...”
Enquanto mulheres vendem-se...

“Uma gente que ri
Quando deve chorar...”
Enquanto crianças são abusadas!

“E não vive, apenas agüenta...”
Enquanto mães perdem seus filhos...

“Possui a estranha mania
De ter fé na vida...”
Enquanto a noite castiga seres mortos de fome.
Enquanto homens arrancam segredos
Enquanto gays são queimados
Enquanto velhos são empurrados
Enquanto a morte chega mais cedo!

Enquanto o trem sai do trilho
Enquanto a vida julga o que é Moral
Enquanto animais são extintos...

Estou finalmente em casa
Podendo finalmente deliciar-me comigo mesmo.
No mesmo instante
Em que o planeta incendeia-se

Ouço minha música
E fecho meus olhos....
Enquanto lá fora
As tavernas estão repletas de traidores.

Sou somente meu,
No exato momento em que povos são massacrados...
Indígenas perdem suas raízes!
No mesmo momento
Em que a peteca cai e o bolo queima.

Degusto de meus bens
Enquanto os escritores são esquecidos,
Os filósofos queimados nas fogueiras,
E a fome assola a humanidade!

Prolongo meu banho
Mesmo que pessoas morram de sede.
Estranho meu momento solitário,
Mesmo que tantos vivem dentro da Solidão!
Permito-me não ter filhos,
Mesmo que vários estejam abandonados!

Apenas ouço Elis!
Mesmo que não a escutando,
Apenas ouvindo!

Esse momento finamente é Meu!
Sem trabalho,
Sem correria,
Sem contra tempos,
Sem discórdia,
Sem humanos.
Mesmo que guerras desintegrem o Oriente Médio,
Mesmo que governos mutilem sua nação.

Sou só meu agora.
Nesse instante.
E nesse instante, uma criança nasceu!

Vinicius Cassiolato
27/10/09

Sina dos esquecidos

Sina dos esquecidos

Aos alunos insanos


O som do vento bailando pela água...
Meses a fio
Reza
Labuta... Esfregar!
O sol arrancando a pele de suas costas.
Esfregando sem cessar.
Mastro, corda, chão!

O barco a deriva,
Meses. Meses... MESES!
Lavando a proa,
Lavando um aos outros,
Esfregando...
Neuroses?!

Ao som das gaivotas livres!
Voando além – infinito!
Além, enfrente, a deriva...
Sem nuvens, sem chuva
Trabalho
Sem conhecer o capitão.

Meses além, meses a fio,
Meses infinitos...
Uns aos outros.
Viajam sob águas, sem lembrar como é a terra.

Donos do Mar.
Donos, Senhores
Exilados sob o sol.
Exilados!

Ilusões sobre as águas,
Miragens de coqueiros e praias,
Maldições lançadas aos 4 ventos.
Vagando.
Trabalhando sem parar.

O sol. O Sol. O SOL.
Trabalhando
Lavando, esfregando,
Subindo entre velas,
Sobrevivendo entre rações e gotas d água!

Exilados
Uns aos outros
Vagando
A deriva
Além.

Livres amaldiçoados,
Sem conhecer o capitão,
Rogando a Deuses inexistentes!        
(Deuses surdos e cegos)

Trabalhando dentro do inferno.
Infinitamente.
Desgastados juntos com os ratos.
Sem dormir.
Grudados com suores ensangüentados.

Todos, ali presentes,
Expandindo a loucura além de suas mentes
E infectando outros com insanidades.

Meses. MESes. MESES!
A fio.
A deriva
Apagando cada tocha de energia
Desacreditados!
Sem passados ou variações.

Eternos. Queimando entre a água e o céu.
Procurando entre o nada
Um motivo,
Uns aos outros.
Uns desconhecidos aos outros!

Já não se lembram de quando se conheceram!
Já não se lembram de histórias!
Vagam, eternamente vagam,
Introvertidos em loucuras e trabalhos!

Miragens estranhas confundem sua realidade escaldante.
Em que realidade se isolaram?
Em que momento viveram?
Meses. Trabalho. Mar.

Esfregando chão e proa,
Dias ficaram perdidos em suas memórias.
Sem folga,
Sem rumo,
Sem perdição,
Sem terra,
Sem fuga,
Sem crença!...

Esqueceram-se dos Deuses,
Assim como foram esquecidos pelos mesmos!
...Dia, noite...
......Noite, Dia......
.........Dia, Noite.........
Ambos confundem-se,
Ambos reinam
Por cima e dentro dessas águas negras.

Seres livres
Livremente presos dentro de suas mentes.
Abandonados pela existência.
Sem tempestades,
Apenas o som ensurdecedor das gaivotas malditas,
Apenas o brilho abrasivo do sol, das estrelas,
Apenas o agora.

Vagam, vagam eternamente sem descanso...

E assim continuarão!
Assim permanecerão!
Assim não se lembrarão!
Assim foi a Sentença Divina!
Assim os Deuses os castigaram!

E assim o pós-morte os acolheu!
Vagando, trabalhando!
Sem descanso,
Sem sanidade,
Sem vida,
Sem o final da jornada!

Vinicius Cassiolato
20/10/09



O retorno de um Rei Exilado

 O retorno de um Rei exilado


Vou-me embora!
Seja para outra esquina
Ou para outro país!
Vou-me embora!

Voltar para as Ruas de minha infância.
Retornarei triunfante ao colo de meus ancestrais.
Não desejo. Eu vou!
Vou para as estrelas,
Vou rever o infinito,
Vou reler as escrituras,
Vou lavar a alma e minhas pegadas,
Vou reencontrar com amores mortos,
Vou deleitar-me com a embriaguês e as Musas.
Musas, prostitutas, intocáveis!

Caminharei novamente pelos Palácios Olímpicos.
Pelos vales abandonados,
Pelas mentes insanas,
Por túmulos esquecidos...
Tocarei tambores decompostos.
Subirei nos palcos podres da humanidade.

Não quero.
Eu Vou!

Irei retornar a minha casa.
Retomar ao que é meu por direito.
Voltarei para tomar o trono dos apócrifos.
Regressarei com Fúria e Solidão.
Vou voltar!

Vou-me embora deste lugar funesto.
Lúgubre, insano, maldito, malfeito!
Atearei fogo aos falsos profetas,
Junto com eles irão artistas podres,
Humanos exauridos.
Arrancarei de seus corpos suas almas,
Mutilarei as máquinas.
Não aqui!
Lá.

Lá onde fui feliz!
Lá onde sou inteiro.
Lá onde sou compreendido.
Lá onde meu silencio é respeitado.
Lá, onde eu sou HADES.



Que sejam exilados,
Que sejam dilacerados,
Que suas vísceras sejam espalhadas.
O entoar celeste será meu testemunho!

As estrelas irão chorar!
A Terra sangrará!
Os mortos irão se levantar!
Mas retornarei!
Ao centro, ao lar.

Retornarei de meu exílio,
E assim, assumirei meu posto no Olimpo.
Todos aqueles traidores deverão pagar com a vida.
Todos os monstros serão Invocados.
Todos os castelos cairão!
Eu sou a vida, eu sou a morte!
Sou a sentença e a libertação!

Vou-me embora
Regressarei as ilhas esquecidas.
Regressarei ao centro de meu ventre.
Irei. Sim. Irei.
Assumirei meu lugar.
Descançarei entre os meus.

Todos cairão.
Falsos curandeiros,
Falsos poetas,
Falsos... Falsos... Falsos...
Todos cairão!
Todos... Falsos... Todos...

Meu brado será ouvido entre as constelações!
Entre as arvores, plantas, animais...
Todos se prostrarão aos meus pés.
Aqueles que me expulsaram...
Pagarão!

Serão banidos de suas almas.
Serão desconfigurados e se espalharão.
Será o regresso do belo.
Será o regresso do universo Ancestral!

Assim está escrito!
Assim será!

Cada ser humano
Terá seus instintos espalhados.
Cada valor...
Cada moral...


Todos irão se lembrar
Dos Deuses!
E assim, dos Deuses dos Deuses...
A ira dos Raios
Cairá sobre suas cabeças!
A fúria dos mares
Inundará seus lares!
A revolta, os ventos
Levarão suas carnificinas!

Serão varridos da face da terra!
Serão depostos e destronados.
Um a um!
Mente a mente!
Coração por coração!
Todos os seres clamam por vingança!

]A Terra se abrirá
E todos os Guardiões sentenciarão os prepotentes!
As amarras que me prendem
Estão se desfazendo elo após elo!
A cada instante minha força vai retornando ao que era.

Subirei circulo após circulo.
Subirei, subirei,
Levarei todos que aqui estão.
Levarei meu reino.
Levarei minhas crias.
Meus profetas.
Meus curandeiros.
Meus poetas.
Meus artistas.
Levarei tudo e todos!

Nosso regresso será em breve.
Aguardem....
Logo estarei entre vocês.


Vinicius Cassiolato
08/09/09


domingo, 5 de fevereiro de 2012

O tempo...


Em São Paulo, criando, estudando, viajando em conversas e devaneios profanos e sagrados... 


Que vontade é essa de ficar mas tendo de ir embora Vinicius de Moraes? 

Como transpor o passado o presente e o futuro Vininha? Experiencias enriquecedoras nos faz

 avaliar nossas atitudes em situações diárias, e tentando muda-las somos incapazes de girar 

no mundo?? 

Ah meu querido bohemio de outras eras.... o que faço? 

o que faço se um caminho desfaz laços e castelos enquanto o mesmo caminho nos mantem 

angustiados e atônitos de alma? 

O tempo... o tempo é o culpado... ele nos faz crescer e enxergar com outros olhos.... ele nos faz 

amadurecer para decidirmos nossos caminhos e trilhar o que realmente queremos... O 

tempo... O tempo Vininha..... O tempo faz com que o EU de agora, seja diferente do Eu de 

ontem... meu eu e o eu de amanha são os mesmo mas mesmo assim, são diferentes.... 

<<<<NÃO CONSIGO SER O DE ANTES>>>

domingo, 25 de setembro de 2011

Multifacetado


[Sem titulo?]

O tempo não pára

Ao som de blues
Vago pelo tempo, entre todas as gerações,
Caras Pintadas, geração perdido.
Eu sou dessa geração?
Será?

Bossa nova luta guerrilha!
Canônico, grego, hermético?!?
Linhas perdidas no tempo e no espaço.
Valores remodificados,
Morais impostas.

Como me enquadrar em moldes sistematizantes,
Se não me enquadro em tintas ou livros?
Deixo a vida pulsar
Levando-me a outros Mundos escondidos,
Delírios insanos desconexos,
Embriagues divinamente profana!!!!

Caminho entre igrejas e cemitérios,
Encontro-me com os Deuses Pagãos
Encontro-me solitário em mim mesmo...
Pelas minhas veias
O tempo escorre entre o agora e o passado.
Um agora perdido entre o ventre das Parcas.
Um passado cruzado dentro da humanidade.

Vivo, além, tento!
Eu Vivo voando entre nuvens e pulsações celestes.
Eu Além do além, alcançando realidades diversas,
Eu Tento...
Eu Tento ser eu mesmo!
Influenciado por familiares, filósofos, amigos,
Amigos mortos, amigos tentando viver.

Dentre vocês quem realmente vive?
Vocês que me ouvem, que me lêem,
Leia minha alma, entenda meus pensamentos.
Dentro do meu peito
Permito o tempo ser desvairado..
Elevo-me às estrelas do mar...
Ouço o som da rebentação!

Você ai!
Erga seus braços mórbidos
E alcance meu espírito!
Dê-me a Mao e vamos juntos
Vamos juntos não Olimpo, ao Orun, ao Infinito...

Não respiro o tempo ou o espaço!
Sinto-me o todo.
O ontem que ainda não começou
O amanha que já passou...

Caminhando pelas ruas
Ouço as casas ofegantes em ira.
Vejo corpos respirando, mas não vivendo!
Seres sonâmbulos que percorrem ruas estranhas,
Seres que olham, mas não vêem,
Que andam e não sentem,
Que não tem consciência de ter uma consciência...

E nesse universo multifacetado
Eu, sou o estranho
O atemporal
O estranhamente imperfeito!
Eu, sou o Exilado das estrelas.
Eu sou o Tempo encarnado em humano...

Eu, que aqui vos escreve,
Sou alguém perdido...

Vinicius Cassiolato

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Caminho estrada a fora


Caminho estrada afora


Caminho estrada afora,
Encontrando-me a cada esquina!
Pedindo alimento à família reunida,
Vendendo passe na Rodoviária.
Bebendo um café as 7:00 da matina,
Deitado em bancos.
Correndo atrás dos atrasos,
Sentado ao sol!
Andando pelos desertos de pedra,
Degustando o ar poluído!

Encontro-me entre mares e vales,
Mergulhando em Rios,
Passeando pelas matas,
Cavalgando entre boiadas,
Construindo moradas de sapê!
Esperando carona,
Mirando a calmaria das águas,
Pisando em poças de lama,
Pedalando a Roda da Fortuna!
Tirando cartas!
Jogando Búzios!

Deparo-me comigo em todos os cantos:
Cantando junto com os pássaros,
Voando junto às nuvens,
Comendo igual aos pandas!
Cuidando dos meus filhotes,
Admirando o colorido de uma borboleta,
Morrendo por fome!
Estranhando o mundo!

Percorro meu caminho pelo mundo
Levando mochila e vida!
Passo por cidades e Rodovias,
Subo em balsas e Cruzeiros!
Caminho pelo mundo,
E vejo quantos de mim estão espalhados!
Quantos estão divididos!
Quantos não sabem que descendem do divino!
Caminho pelas linhas dessa pagina
E ainda não sei qual será o desfecho!
Apenas continuo a caminhar...
Sempre enfrente,
Seja acompanhado ou solitário,
Mas caminho!

Encontro-me a cada esquina!
A cada cigarro aceso
A cada matilha ou bando!
Encontro-me em meio as fumaça verde ou cinza!

Vejo-me em todos
Brancos ou Azuis
Amarelos ou Mulatos.
Sendo de calça ou de saia.
No entanto
Ainda continuo a caminhar!
Venjo-me no senhor bebendo sua coca-cola
No filho sendo amamentado
Na mãe que teve seu aborto espontâneo
Nas horas que não passam.

Vivo a caminhar sempre pelo mundo!
Pelas Ruas, pelos Rios
Pelos Ares, pela Mãe-Terra!
Sou aquele que esta agachado
E também aquele que pede uma moeda!
Sou a criança na janela do ônibus
Sou o motorista que queria estar com a esposa
E sou aquela que espera ter um marido!
Eu também sou o marido que aguarda o nascimento do filho!
Sinto que sou o estéril
E ainda sou o viril!
Encontro-me no doente convalescente
E também naquele que esta ao seu lado!

Vejo-me naquele que perdeu o ônibus,
E nos que andam descalços.
Sou uma mãe acalentando um filho,
E aquele filho espancado!
Trombei comigo
Naquele bêbado jogado depois de maltratado
Naquela prostituta tatuada,
E ainda no pai amando seu filho,
E no filho que matou seu pai!

Cruzei comigo correndo atravessando a Rua
Sendo quase atropelado
Pelo cansaço e esgotamento enquanto dirigia.
Caminho pelo mundo
Encontrando-me em cada esquina!


Vinicius Cassiolato

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Estava só, como Prometeu (acorrentado)


Estive desligado do blog por um tempo.
Está tudo tão acelerado, o mundo, as ruas, o trabalho, a faculdade, enfim, minha cabeça gira algumas vezes sem direção. É engraçado como apesar de tanta correria, nada muda.

Fica para você uma das mais antigas:


Estava só, como Prometeu
(acorrentado)


Estava só como Prometeu.
Acorrentado dentro de meu templo.
Morto. Exilado.
Deixei abutres me sugarem!
Já não me recuperava ao anoitecer.
Apenas sentia o tempo passando.
Silencio pela eternidade.

Mas em um pulso fez-me a libertação.
Corri pelo mundo atrás de algo que não sabia o nome.
Enfrentei Hades, trai Hera.
Conheci o Limbo.
Vaguei pelo Purgatório Dantesco.
Fui expelido do Paraíso.
Enfrentei Esfinges, matei Quimeras.
Arranquei meus olhos e enforquei-me.
Deixei que meus filhos me conduzissem até certo ponto.
Conheci Ariadne e Medeia.
Engoli Faustos e degolei Mefistófeles.
Cruzei Estrelas.
Deparei-me com Príncipes e Magos.
Conheci o Mar e seus Mistérios!
Caminhei ao lado de Nietzsche e Dali.
Preenchi o infinito!
E conheceram Magnus!

Para onde iria? O que faria?
Era apenas duvidas e sempre caminhar.
Seguia, e nada mais.
Amei Baco e fui amante de Apolo.
Driblei Oxumare e yansa.
Despojei-me de Deuses e Cristo.
Transei com os Mestres,
E sangrei nas Guerras Santas.
Para onde?
Caminhos, Caminharam...

Percorri vidas e Universos!
Degustei o som de Clara e Piaf.
Fui Poeta, Vagabundo
Um Rei e uma Estrela!
Petrifiquei-me como Akasha,
E deixei o vento balançar-me como as arvores.
Entreguei-me aos Oceanos e naveguei com os Piratas.
Vaguei.
Cai.

Hoje, depois de tanto, entendi...
Minhas férias curam-se.
Sou EU apenas...
Quando olhei em seus olhos.
Decidi que iria ficar!
Permanecerei eternamente nessa vida...
Aqui, agora.
Entendo o passado e minha busca incansável e incompreensiva.
Por ti, somente por ti, para ti.
Suas mãos curaram meus cortes,
Seu olhar ilumina meu ser,
Suas palavras se concretizam em mim, e vice-versa.
Quero que os Leões e Filósofos se destruam.
Só quero ficar ao seu lado.

Deixe que a mãe Terra seja nossa confidente.
Entrego-me a ti como uma estrela aceita a morte.
Entrego-me a ti, somente!
O tanto que viajei, caminhei e toquei.
Para finalmente encontrar-te!
Amar-te.
A poeira que em mim somavasse,
Vai embora com os ventos dos Cantos.
Ouço agora o meu coração novamente ecoando sua música!
Um músculo sem importância emanando vida.
Deixo alegria e dor para o passado!
Ao seu lado amo a vida e os habitantes dela.
Consigo ouvir a canção da vida.
O pulsar da terra!
O lamento dos Deuses por seus irmãos devorados!

Irradia em mim a beleza de teu espírito!
Por onde andaste durante todo esse tempo?
Por que não apareceu antes?
Sentia saudades de seu beijo!

Vinicius Cassiolato